Nota da Diretoria da Adusb de repúdio ao machismo,  de apoio ao SIMMP e  solidariedade às professoras  Greissy Leôncio Reis e Talamira Taita Rodrigues Brito

No dia 18 de março, o Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (Simmp/ VC) participou de uma reunião do Fórum Municipal de Educação (FME), para votar o apoio do órgão à Marcha Municipal pela Educação Pública, que aconteceria na quinta-feira, 21 de março. Com muita consternação, a Diretoria da Adusb tomou conhecimento que, a presidenta do Simmp, professora Greissy Leôncio Reis, e a presidenta do Fórum Municipal de Educação, professora Talamira Taita Rodrigues Brito, foram vítimas de misoginia durante a reunião. Conforme notas divulgadas pelo Simmp e pelo Fórum de Mulheres de Vitória da Conquista, um dos integrantes do FME tentou silenciar as professoras, recorrendo a gritos e outras atitudes de natureza machista que não podem ser relativizadas nem toleradas.

A Diretoria da Adusb repudia veementemente qualquer tipo de misoginia e manifesta seu apoio e solidariedade às professoras Greissy Leôncio Reis e Talamira Taita Rodrigues Brito. É inadmissível que esse tipo de violência aconteça em qualquer espaço, em especial numa reunião do Fórum Municipal de Educação, o qual, segundo o Ministério da Educação, deveria “discutir, propor, acompanhar e avaliar as políticas públicas no âmbito do sistema educacional, especialmente aquilo que está no respectivo plano de educação, que deve ser aprovado em lei”.

A Diretoria da Adusb reitera seu respeito aos sindicatos e seus órgãos de direção legitimamente eleitos. Estes órgãos, enquanto representantes de categorias da classe trabalhadora, possuem uma responsabilidade ainda maior no enfrentamento classista às várias formas de opressão que contaminam nossa sociedade, o machismo, o capacitismo, o racismo, a lgbtfobia, entre outros. É importante que esses órgãos de direção recebam as denúncias de práticas opressivas como uma oportunidade para construir e fortalecer esse enfrentamento, não como um ataque à entidade. Não é possível legitimar nem recorrer à tática de vitimização. Esta nota reflete o compromisso permanente da Adusb e do Andes Sindicato Nacional com enfrentamento classista ativo, em todas as frentes, a todas as formas de opressão, enfrentamento esse necessário e fundamental para que possamos superar esse modelo de sociedade que se sustenta na exploração da classe trabalhadora.

Com esta nota, a Diretoria da Adusb não tem o objetivo de atacar nenhum sindicato, nem suas diretorias e muito menos nenhuma categoria. O repúdio aqui manifestado dirige-se individualmente àquelas ou aqueles que abusam da sua condição de representação sindical para reproduzir os mecanismos de opressão do capital, o que não pode ser tolerado. Por isso nos preocupa também que a situação esteja sendo explorada por forças da direita para atacar o Simmp. Enfraquecer, atacar, desqualificar sindicatos e movimentos sociais é o modus operandi da direita e da extrema direita, para garantir sua manutenção no poder. 

Integrantes do poder executivo, do legislativo e do judiciário, independente de bandeira partidária, sempre que uma categoria do funcionalismo está em luta legítima por seus direitos, têm como prática promover ataques aos sindicatos e às próprias categorias. Foi assim em 2015 quando o ex-governador Rui Costa (PT) divulgou de forma caluniosa que docentes em dedicação exclusiva estariam lesando o erário público. Ou quando o mesmo ex-governador divulgou, em 2019, informações distorcidas sobre os salários de professores/as, buscando desqualificar a categoria frente à população. O mesmo ocorre agora quando o vereador de Vitória da Conquista, Francisco Estrela Dantas Filho (Agir), busca, em discursos na Câmara Municipal, desqualificar o Simmp, usando para isso, informações incompletas, distorcidas e, inclusive, notas emitidas por outros sindicatos. O ex-governador, o vereador e outros tantos "políticos", incapazes de justificar frente à opinião pública seu apoio às políticas de sucateamento da educação pública e das carreiras da educação, buscam sempre o diversionismo tentando desqualificar as/os profissionais da educação.

A Adusb sempre esteve ativa na luta no âmbito estadual, mas também nos municípios de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, onde tem suas sedes; e nunca se furtou a fortalecer os movimentos sociais locais, participando de marchas, dias de luta, apoiando greves e paralisações e, claro, participando do Fórum Sindical e Popular de Vitória da Conquista.

A Diretoria da Adusb defende a importância do enfrentamento ao assédio. Numa sociedade estruturalmente machista é obrigatória a capacidade de autocrítica. Por outro lado, as divergências existem e devem ser resolvidas no diálogo. Mas, transformar divergências pessoais em sindicais gerando o enfrentamento fratricida entre os sindicatos da educação, só trará benefícios aos inimigos da classe trabalhadora e da educação pública, gratuita e socialmente referenciada.

 

"Paz entre nós, guerra aos senhores!”