Mais de 15 mil vão às ruas em SP em manifestação histórica contra o ajuste fiscal

Mais de 15 mil manifestantes participaram nesta sexta-feira (18), em São Paulo (SP), da Marcha Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, organizada por 40 entidades representativas dos movimentos sindical, social e popular . O ato teve início no Vão do Masp e percorreu as avenidas Paulistas e Consolação até a Praça da República. O ANDES-SN participou da marcha com caravanas de todo o país.

A manifestação, primeira realizada após o novo pacote de ajustes anunciado pelo governo na segunda-feira (14), teve por objetivo concretizar a construção de um campo classista, que fomente a mobilização de massas, em contraposição ao governo e à oposição de direita. Com faixas e cartazes, trabalhadores de todo o país, dos setores público e privado, protestavam contra a política fiscal do governo, contra a Agenda Brasil e pediam a retirada das medidas que atacam direitos sociais como a redução da maioridade penal, o Plano de Proteção ao Emprego (PPE), a terceirização e as mudanças no acesso ao seguro-desemprego e à pensão por morte, além da reversão no confisco no salário dos servidores federais e na suspensão de concursos públicos.

As medidas e ataques fazem parte do pacote de ajuste fiscal que vem sendo implementado pelo governo federal desde o início do ano.

Com a participação de representantes de diversas categorias do serviço público, trabalhadores dos Correios, Comperj, metalúrgicos de várias montadoras, estudantes, militantes de movimentos sociais e populares a marcha se concentrou no Masp e às 18h horas ocupou todas as faixas da avenida Paulista sentido a Consolação.

Com palavras de ordem que pediam o fim do ajuste fiscal, os participantes deram o recado de que os trabalhadores não vão pagar a conta da crise, e cobraram a reversão dos ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude. Entre os manifestantes, representantes dos indígenas Guarani Kaiowá que denunciaram o extermínio dos povos originários e também dos refugiados da Síria, que destacou luta internacional dos trabalhadores.

“Os trabalhadores não aceitam pagar a conta da crise, enquanto o governo federal privilegia o Capital, os mais ricos, os bancos e o agronegócio. Fomos às ruas também para fazer um chamamento a todas as entidades de classe e movimentos sociais que se somem na luta contra o ajuste fiscal e contra os ataques aos direitos dos trabalhadores brasileiros”, ressaltou Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN.

O Sindicato Nacional participou do ato com um grande bloco de professores, que cobravam também a reversão nos cortes do orçamento da Educação Federal e a abertura de negociação efetiva com os docentes federais, em greve há mais de 110 dias.

“Os docentes se somaram a essa marcha, pois consideramos fundamental dar a nossa contribuição a espaço de luta tão importante, principalmente nesse momento de crise, que passa pela reorganização da classe trabalhadora”, ressaltou Rizzo.

O presidente do ANDES-SN destacou também o caráter representativo da manifestação. “A marcha foi significativa não só pelo seu tamanho, mas pela representativa de movimentos que participaram, como de moradia, mulheres, LGBT, quilombolas, indígenas, sindicatos importantes, estudantes. Foi uma manifestação diversificada, cuja marca foi a rejeição às medidas econômicas que vem sendo tomadas no país, que buscam, por parte do governo e do Congresso Nacional, jogar nas costas dos trabalhadores todo o preço da crise”, afirmou. 

Rizzo avaliou que a manifestação foi o primeiro passo de uma longa luta que tem que ser travada pelos trabalhadores e pela juventude, contra as medidas que retiram direitos dos trabalhadores e contra a política econômica que privilegia o Capital. “Para os professores em greve, e mesmo os que não estão em greve, mas estão em luta em defesa do caráter público da universidade, é importante que aprofundemos nossa inserção nesse processo de luta geral dos trabalhadores, sem o que nós não teremos forças para conquistar nossas pautas específicas”, reforçou. 

Encontro
Neste sábado (19) será realizado o Encontro Nacional de Lutadores, que discutirá a continuação das mobilizações contra o ajuste fiscal e o conservadorismo. A CSP-Conlutas organiza esse espaço junto com outras entidades que fazem parte do Espaço de Unidade de Ação e outras que quiserem se somar.

Fonte: ANDES-SN