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Enquanto propagandas oficiais celebram a redução de índices de violência na Bahia em 2025, a realidade enfrentada pelas mulheres baianas, especialmente no interior do estado, conta uma história diferente. A Bahia encerrou o ano novamente entre os três estados com maior número absoluto de feminicídio, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os dados de 2025
Dados parciais apontaram que a Bahia registrou 103 casos de feminicídio em 2025. Embora o governo aponte uma leve redução estatística, cada número representa uma vida, uma história e uma família destruída.
Cidades como Jequié, que figurou em 2025 com taxas de violência alarmantes (superiores a 20 mortes por 100 mil habitantes em índices gerais), mostram que a insegurança no Médio Sudoeste é crônica. Não é coincidência que o ato nacional "Mulheres Vivas", realizado em dezembro com participação da Adusb, tenha sido tão necessário.
Panorama regional
Enquanto peças publicitárias tentam vender a imagem de uma região pacificada, a rotina nas cidades do Sudoeste baiano revela que a violência de gênero segue operando com brutalidade. Para as mulheres de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, a virada de 2025 para 2026 não trouxe alívio, mas sim a confirmação de que as medidas protetivas e a estrutura de segurança pública ainda são insuficientes para conter o ódio machista.
Em Vitória da Conquista, a narrativa oficial de "cidade mais segura" colide frontalmente com o sangue derramado já nos primeiros dias de 2026. O ano mal havia começado quando Kelli Amorim Ribeiro, de 28 anos, foi assassinada a facadas na frente do próprio filho de três anos. A sensação de insegurança foi reforçada nesta semana (20 de janeiro), quando a região assistiu a mais um episódio de terror: um homem sequestrou a ex-companheira e o filho em Barra do Choça, mantendo-os em cárcere privado e sob tortura até serem localizados em Planalto.
A situação é também é crítica em Jequié, onde a violência em 2025 não poupou nem mesmo as mais jovens, nem as moradoras da zona rural. O final do ano foi marcado pelo feminicídio de Aluana Ângela Matos, morta pelo ex-companheiro no distrito de Florestal, evidenciando o desamparo das mulheres que também vivem longe dos centros urbanos e das delegacias. Meses antes, a cidade já havia chorado a morte da adolescente Vera Lúcia, de apenas 15 anos, e o assassinato de Adeilma Fonseca, vítima de uma emboscada.
Já em Itapetinga, a crueldade registrada no final de 2025 serve como alerta para a precariedade do atendimento especializado no Médio Sudoeste. O assassinato de Joselia Viana Souza, espancada e esfaqueada na Vila Riachão em novembro, trouxe à tona a discussão sobre a falta de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) com funcionamento 24 horas no interior, visto que não têm plantões efetivos.
A Adusb na luta
A participação da Adusb em atos "Mulheres Vivas", em Vitória da Conquista e Jequié, reafirmou a luta do sindicato pela vida. Diante de um estado que lidera ranking de letalidade, é necessário que políticas públicas de combate à violência de gênero sejam efetivas para construirmos uma sociedade verdadeiramente emancipada no que se refere ao gênero.
No próximo oito de março, dia da mulher trabalhadora - momento em que a Adusb juntar-se-á às demais organizações de mulheres e entidades de Vitória da Conquista para denunciar a fragilidade das políticas públicas de combate ao feminicídio ou qualquer forma de opressão de gênero. Chega de contar mortas. Queremos contar com políticas de vida.
Links de referência:
Homem é preso suspeito de manter mulher em cárcere privado na região (21/01/2026)
Mulher é morta a facadas pelo ex-companheiro na zona rural de Jequié (Dez/2025)
Mulher morre após ser espancada e esfaqueada em Itapetinga (Nov/2025)