Déficit de 85 professoras/es e travas do ano eleitoral podem comprometer oferta de disciplinas e atravancar ano acadêmico na Uesb

Com risco de 360 disciplinas sem aula, Adusb adverte que pressão para "tapar buracos" na matriz curricular pode intensificação de trabalho e agravar adoecimento da categoria, questões da pauta de reivindicação interna para 2026.

Uma reunião realizada no dia 11 de fevereiro entre a Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) e diretores/as de departamentos do campus de Vitória da Conquista expôs um cenário de alerta máximo para a comunidade acadêmica. O ano letivo de 2026 começa sob a sombra do déficit de docentes, resultado da combinação da inércia do Governo do Estado em convocar aprovadas/os e a proximidade das vedações impostas pela legislação eleitoral.

As/os diretoras/es procuraram o sindicato preocupadas/os com a dificuldade em assegurar a oferta de disciplinas solicitadas pelos Colegiados de Cursos de Graduação e Pós-Graduação para o primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento apresentado, a universidade ainda não conseguiu garantir o contrato e nomeação de 85 vagas docentes anteriormente aprovadas. A conta inclui 33 aprovadas/os em concursos que aguardam nomeação, 39 pedidos de novos concursos, cujos editais sequer foram lançados, e 13 vagas de professoras/es substitutas/os não efetivadas.

Na ponta do lápis, a ausência desses profissionais impacta diretamente no desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Com relação às atividades de ensino, estima-se que cerca de 360 componentes curriculares (disciplinas) podem ficar sem professor/a no retorno às aulas.

A preocupação das/os gestoras/es departamentais esbarra, no entanto, em um vácuo político. Até o momento, o Governo do Estado desconsidera a gravidade da situação e não aponta caminhos concretos para a solução desta situação. Diante do silêncio administrativo, as/os diretoras/es esperam que a Reitoria da Uesb, se posicione firmemente, na esfera governamental, contra esta gravíssima situação buscando celeridade da máquina pública antes que os prazos legais se esgotem.

 

Existem dois entraves que dão uma data limite para que a reitoria e o Governo da Bahia tomem uma atitude. O primeiro é a validade do último grande concurso (Edital 079/2022). O certame, que formou o atual cadastro de reserva, tem sua validade expirando no dia 2 de julho de 2026, visto que teve resultado homologado no dia 2 de julho de 2022. O segundo é a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), que proíbe nomeações de servidoras/es nos três meses que antecedem o pleito. Com o primeiro turno em 4 de outubro, a trava começa a valer no dia 4 de julho. Se o Estado não homologar novos concursos ou convocar os aprovados do edital vigente até o dia 3 de julho, a Uesb ficará legalmente impedida de receber novas/os professoras/es até a posse do novo governo estadual, em janeiro de 2027.

 

A Adusb reforça que a inércia do Estado não pode ser compensada com a saúde da professora e do professor. Durante a reunião com as/os diretoras/es na quarta-feira, a diretoria do sindicato demarcou que a pauta interna de 2026 tem como um dos eixos o combate à intensificação do trabalho e o adoecimento da categoria. A entidade alerta que, sem novos concursos, a pressão recairá sobre as/os docentes para assumirem cargas horárias exaustivas em prejuízo inclusive às atividades de pesquisa e extensão, as/os sobrecarregando. A solução para a inércia do Governo não será a precarização do trabalho docente na Uesb visto que docentes devem se pautar no Estatuto do Magistério Superior, que estabelece a atribuição de carga horária docente, para organização das atividades acadêmicas.