8 de Março: Com recorde de feminicídios no Brasil, Adusb e movimentos sociais tomam as ruas de Vitória da Conquista

O Dia Internacional de Luta das Mulheres não nasceu de homenagens comerciais, mas do sangue, do suor e da organização da classe trabalhadora. Resgatando essa essência histórica, a Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) somou forças a diversos movimentos sociais e sindicais neste domingo (8), em uma marcha unificada pelas ruas de Vitória da Conquista. A concentração do ato ocorreu na feira do Bairro Brasil, às 8h. 

De 1917 a 2026: A luta por tempo e sobrevivência

A história do 8 de março está intrinsecamente ligada à luta contra a exploração capitalista. A data se consolidou mundialmente após a histórica greve das tecelãs russas em 1917, que cruzaram os braços exigindo "Pão e Paz", e também em memória às operárias que perderam suas vidas em fábricas insalubres nos Estados Unidos, lutando por jornadas de trabalho menores e salários dignos.

Hoje, mais de um século depois, essa mesma reivindicação ganha uma roupagem atual e urgente nas ruas, a luta pelo fim da escala 6x1.

Assim como as pioneiras do movimento operário combateram as jornadas de 14 a 16 horas diárias, o movimento de mulheres e sindical hoje denuncia que a escala 6x1 é uma máquina de adoecimento que atinge, majoritariamente, as mulheres. Sobrecarregadas pela dupla ou tripla jornada imposta pelo trabalho de cuidado não remunerado, as trabalhadoras são as mais penalizadas por um regime que rouba o direito ao descanso, ao lazer e à convivência familiar.

Além do direito ao tempo, as mulheres marcham pelo direito à vida. O ato em Vitória da Conquista denunciou os dados alarmantes divulgados na primeira semana de março de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O Brasil bateu um novo e trágico recorde de 1.568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. A desigualdade racial e o machismo estrutural ficam evidentes no perfil das vítimas, já que 62,6% das mulheres assassinadas são negras, e 66,3% dos crimes ocorrem dentro da própria casa da vítima. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram ainda que os processos de feminicídio triplicaram no país nos últimos cinco anos. Na Bahia, a média é de 12 mulheres vítimas de violência a cada 24 horas.

Durante o ato, a presidenta da Adusb, Iracema Lima, deu destaque a uma denúncia recente e urgente que afeta diretamente o ambiente acadêmico, a violência institucional, patrimonial e vicária contra mães pesquisadoras. Como exposto pelo sindicato em reportagem recente, os muros das universidades e os tribunais de justiça ainda abrigam um patriarcado punitivo que sabota a carreira e a saúde mental das docentes.

A mobilidade acadêmica, exigência comum para qualificação, tem sido usada como arma jurídica por ex-companheiros para processar professoras por "abandono", pedir a guarda dos filhos e exigir pensões absurdas, somando-se a dívidas fraudulentas contraídas em nome delas. Em vez de proteger essas mães, as universidades respondem com violência institucional, resoluções engessadas que ignoram a maternidade, prazos rígidos que não preveem suspensão para cuidados com os filhos e cortes sumários de bolsas.

Para combater a omissão do Estado, as manifestantes em Vitória da Conquista organizaram uma pauta de reivindicações. O movimento exige do poder público municipal a criação e implementação do Conselho dos Direitos da Mulher no município. Além disso, as entidades cobram uma rede contínua de políticas públicas de proteção, que inclua Casas Abrigo, delegacias especializadas (DEAMs) com atendimento humanizado 24h, cursos profissionalizantes e geração de renda.

A Adusb reafirma seu compromisso histórico de luta pelas mulheres vivas, livres e sem medo. O 8 de Março é dia de enfrentamento político contra a precarização da vida, contra o machismo e em defesa de uma sociedade onde as mulheres não sejam mortas por serem mulheres, nem adoeçam pela superexploração.

Fim da escala 6x1! Nenhuma a menos! Vivas nos queremos!