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As eleições para a Reitoria e Vice-Reitoria da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), referentes ao quadriênio 2026-2030, estão marcadas para o dia 15 de abril de 2026, com votação nos três campi. As três chapas que disputam o pleito já foram homologadas. Saiba quais são:
Chapa 1 – “Uesb: Viva e Democrática”: encabeçada por Madalena Souza (candidata a reitora) e Daniel Melo (candidato a vice-reitor).
Chapa 2 – “Cuidar Para Transformar”: encabeçada por Robério Rodrigues (candidato a reitor) e Francys Cerqueira (candidata a vice-reitora).
Chapa 3 – “Uesb cada vez mais forte”: encabeçada por Reginaldo Pereira (candidato a reitor) e Cássia Brandão (candidata a vice-reitora).
Para alimentar a discussão sobre o projeto das candidaturas para a universidade, a Associação de Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) elaborou um material informativo direcionado à categoria sobre as eleições, com o objetivo de apresentar o posicionamento destas chapas sobre a Pauta de Reivindicações das/os Docentes.
Metodologia
Para assegurar a transparência e a equidade no processo, a Adusb enviou no dia 20 de março um mesmo bloco com 7 (sete) perguntas simultaneamente aos e-mails das três candidaturas que disputam o pleito. Foram estabelecidas as seguintes regras:
Limite de caracteres: Cada resposta precisava ter o tamanho máximo de 1.000 caracteres (com espaços), sob a pena de ser sumariamente desconsiderada caso o limite fosse ultrapassado.
Prazo e Ordem de Publicação: O recebimento seria encerrado às 23h59min do dia 25 de março de 2026 e a disposição das respostas seguiria rigorosamente a ordem cronológica de chegada na caixa de e-mail da associação.
A ordem de apresentação abaixo respeita o horário de chegada das mensagens. A Chapa 1 respondeu no dia 24 de março, às 10h01; a Chapa 3 respondeu no dia 25 de março, às 22h32; e a Chapa 2 também no dia 25 de março, às 23h30.
Abaixo, apresentamos as perguntas na íntegra e as respostas das chapas organizadas na ordem estipulada.
1. Infraestrutura e Condições de Trabalho: Nossa pauta exige a ampliação e/ou instalação de creches, bem como a reestruturação dos Restaurantes Universitários e cantinas nos três campi, assegurando gestão pública e preço justo; instalação, melhoria e ampliação dos laboratórios. Como a sua chapa planeja viabilizar o orçamento e executar de fato essas demandas estruturais?
CHAPA 1: Nossa gestão assumirá a pauta apresentada como prioridade orçamentária. Defendemos a ampliação de creches, a reestruturação dos restaurantes universitários com gestão pública e preço justo, bem como, o fortalecimento dos laboratórios. Atuaremos pela recomposição do orçamento junto ao governo estadual, pela captação de recursos e pelo aprimoramento da execução financeira. As decisões serão construídas de forma participativa com os Departamentos, Colegiados e Conselhos Superiores da Uesb, assegurando transparência e controle social. A expansão da infraestrutura será orientada por diagnóstico real das necessidades dos três campi, em consonância com as reivindicações da categoria.
CHAPA 3: A pergunta cita equipamentos essenciais relacionados à atenção aos servidores e estudantes, como as creches, equipamentos de política institucional de permanência estudantil (RUs) e outros relacionados ao desenvolvimento do trabalho docente (laboratórios). Nos últimos anos, houve investimento em infraestrutura para o trabalho acadêmico (módulo de pós-graduação em Conquista, módulo de Saúde em Jequié), em áreas de convivência, na ampliação das creches de Conquista e Jequié, recuperação de auditórios e sanitários, requalificação do RU de Itapetinga, urbanização dos campi etc.; mas, o investimento em infraestrutura deve ser contínuo e planejado. Para viabilizar estas demandas, a chapa entende ser necessárias: a) ação política para o fortalecimento do orçamento institucional; b) definição das prioridades institucionais, ano a ano, junto com os Conselhos Superiores; c) organização técnica e administrativa para execução dos planos de infraestrutura aprovados.
CHAPA 2: A chapa ultrapassou o limite de caracteres pré-estabelecido nas regras enviadas pela Adusb, por isso, a resposta foi desconsiderada.
2. Direitos Trabalhistas e Adicional de Insalubridade: Como a sua candidatura avalia os ataques do Governo Estadual ao Estatuto do Magistério Superior no que tange à retirada de direitos trabalhistas das/os docentes? A pauta de reivindicações da categoria cobra a reintegração do adicional de insalubridade, cortado de forma arbitrária, e a garantia de condições de trabalho salubres. Qual será o compromisso da sua gestão em relação à devolução célere desses adicionais, à contratação de laudos técnicos ambientais para todos os setores e à manutenção de laboratórios para a garantia de locais salubres de trabalho?
CHAPA 1: Reafirmamos o compromisso com a defesa do Estatuto do Magistério Superior e com a reversão de perdas de direitos. Atuaremos pela restituição célere do adicional de insalubridade, bem como, pela realização de laudos técnicos atualizados em todos os setores. Garantiremos condições adequadas de trabalho, com manutenção de laboratórios e ambientes salubres. Nossa gestão dialogará com o governo estadual e fortalecerá a luta institucional e sindical, visando assegurar direitos e a dignidade aos docentes.
CHAPA 3: O corte do adicional de insalubridade ocorreu de forma arbitrária, em todas as universidades estaduais, ao arrepio das instituições e seu restabelecimento não depende apenas do “compromisso da chapa”, mas da luta política ou da conquista de decisão judicial favorável. Assim, é difícil uma gestão da Uesb se comprometer isoladamente com a “devolução célere” de adicionais retirados há vários anos. Mas defenderemos esta pauta em todos os fóruns de articulação (com as demais universidades) e de negociação com o governo. Ao mesmo tempo, é responsabilidade da gestão garantir ambientes salubres e seguros de trabalho acadêmico e técnico. É essencial a mobilização das pró-reitorias, coordenações de laboratórios e direções de departamento, para construção de protocolos de segurança específicos, que devem gerar responsabilidades administrativas para aquisição dos equipamentos permanentes e de consumo (EPIs) necessários para a utilização dos laboratórios como unidades de ensino, pesquisa e extensão.
CHAPA 2: A chapa ultrapassou o limite de caracteres pré-estabelecido nas regras enviadas pela Adusb, por isso, a resposta foi desconsiderada.
3. Combate ao Assédio e Cuidados à Saúde Mental: Reivindicamos políticas institucionais efetivas contra assédios e discriminações, apuração rigorosa de denúncias, além da instalação de ouvidorias em Jequié e Itapetinga; e de uma política de saúde mental que proteja de fato a comunidade acadêmica. Quais são as propostas práticas da sua gestão para materializar o amparo às vítimas e colocar fim na impunidade institucional?
CHAPA 1: Implementaremos políticas institucionais efetivas de combate ao assédio sexual, moral e todas as formas de discriminações e violências, com protocolos claros, acolhimento qualificado e apuração rigorosa de ventuais denúncias. Defenderemos a instalação e o fortalecimento das ouvidorias em todos os campi. Instituiremos uma política de saúde mental que integre ações de prevenção, assistência psicossocial e melhoria das condições de trabalho. Nosso compromisso é enfrentar a impunidade institucional e garantir proteção real às vítimas, em consonância com a pauta da categoria.
CHAPA 3: A Uesb não pode tolerar assédio ou discriminação. Mas isto não basta: a Uesb necessita aprimorar seus mecanismos de apuração e julgamento, combater a morosidade processual, as dificuldades na composição das comissões processantes e as diferentes assimetrias de poder/dependência na universidade que, muitas vezes, inibem a denúncia. Tais mecanismos devem envolver: a) programas de formação sobre assédio moral, sexual e discriminação e definição, pelo Consu, de códigos de conduta claros e amplamente divulgados; b) criação de equipes, nos campi, que assegurem escuta qualificada e apoio aos(às) denunciantes, especialmente para escuta e acolhimento de vítimas femininas; c) apuração com rigor, mediante constituição de um banco de servidores capacitados para atuação em comissões. Toda denúncia deve ser acolhida e apurada com rigor, sem generalizações que não correspondem à realidade institucional, mas também sem complacência com práticas incompatíveis com a vida universitária e com a vida social.
CHAPA 2: Nosso compromisso é com um ambiente institucional seguro, ético e acolhedor. Propomos a consolidação de uma política institucional de prevenção e enfrentamento ao assédio, com normativas claras e fluxos definidos. Implantaremos ouvidorias em Jequié e Itapetinga, ampliaremos os mecanismos de acolhimento às vítimas e garantiremos apuração rigorosa das denúncias. Também estruturaremos uma política de saúde mental integrada às ações institucionais, assegurando cuidado contínuo à comunidade acadêmica e enfrentamento à impunidade institucional.
4. Orçamento: A categoria defende que a elaboração e execução do orçamento da UESB sejam participativas e transparentes , e cobra celeridade no Processo da Estatuinte. Como sua gestão garantirá o envolvimento real da comunidade nas decisões financeiras e o respeito às instâncias deliberativas (Colegiados, Departamentos, CONSEPE e CONSU) antes da implementação de convênios e contratos?
CHAPA 1: Garantiremos uma gestão orçamentária participativa, transparente e democrática, com efetivo envolvimento da comunidade acadêmica. Fortaleceremos Departamentos, Colegiados, CONSEPE e CONSU como instâncias decisórias. Nenhum convênio será firmado sem debate e aprovação institucional. Atuaremos pela celeridade da Estatuinte, assegurando as condições necessárias à sua conclusão. Nosso compromisso é com a autonomia universitária, o controle social e o respeito às deliberações coletivas.
CHAPA 3: Defendemos o princípio de que a elaboração e o acompanhamento da execução orçamentária sejam participativos e transparentes. A universidade conta, na sua administração, com conselhos com participação de docentes, discentes e técnicos, sendo atribuições destes conselhos a definição das diretrizes para o aprimoramento do ensino, da pesquisa e da extensão, e a aprovação dos planejamentos orçamentários anuais. É preciso garantir que esta “elaboração e acompanhamento da execução” seja coordenada por comissão paritária, por categoria e por campus, que se encarregue ainda pela divulgação das questões orçamentárias em reuniões e audiências públicas. Decisões financeiras, celebração de contratos e convênios são atos que ocorrem cotidianamente na Universidade, mas é imprescindível que eles estejam vinculados às diretrizes acadêmicas e orçamentárias aprovadas pelo Consepe e pelo Consu, ou seja, diretrizes que foram submetidas às representações de Colegiados, Departamentos e das categorias.
CHAPA 2: A gestão será pautada pela transparência, pela participação e pelo compromisso com a responsabilidade institucional. Implantaremos o Portal Integrado de Governança, instrumento que permitirá consolidar a transparência ativa, fortalecer a prestação de contas em tempo real e vincular as metas orçamentárias às metas do PDI. Esse processo contará com o envolvimento efetivo dos colegiados, departamentos e conselhos superiores, assegurando ampla participação e a publicização contínua das informações orçamentárias. Atuaremos, ainda, de forma firme e propositiva junto ao Governo do Estado pela recomposição do orçamento do Grupo 1, atualmente insuficiente para atender de maneira plena às demandas das universidades estaduais. Essa agenda será essencial para garantir melhores condições de funcionamento institucional, ampliar a capacidade de planejamento e assegurar maior sustentabilidade às ações acadêmicas, administrativas e de assistência universitária.
5. Inclusão e Condições de Trabalho: Nossa pauta defende prioridade de horários para docentes com filhos de até 8 anos, pessoas com deficiência ou idosos sob seus cuidados, além da redução de carga horária administrativa para responsáveis por crianças com deficiência ou neuroatipias. Se eleita/o, como garantirá a implementação dessas medidas, assegurando que não haja redução de salário ou prejuízo de direitos trabalhistas às/ aos docentes?
CHAPA 1: Comprometemo-nos com a implementação de políticas que assegurem prioridade de horários para docentes com filhos, pessoas com deficiência. Defenderemos, nesses casos, a redução da carga administrativa, sem redução salarial ou prejuízo de direitos, conforme já previsto na pauta da ADUSB. Essas medidas serão devidamente normatizadas e construídas de forma coletiva, garantindo equidade, inclusão e respeito às condições reais de vida das/os docentes.
CHAPA 3: A universidade não pode ser indiferente às condições de cuidado que envolvem a infância, a deficiência e o envelhecimento. Quanto à prioridade na definição de horários, é medida administrada pelos Colegiados. Mas julgamos viável elaborar proposta e submeter ao Consepe, construindo resolução que oriente as coordenações de curso neste sentido. Já a redução de carga horária, também legítima, pode envolver limites legais, pois não temos conhecimento de instrumentos que permitam conceder, por via administrativa, tal redução. Por outro lado, nos últimos anos, decisões judiciais têm assegurado esta redução de carga horária a servidores que tenham deficiência ou dependentes com deficiência. Assim, um caminho viável é o do engajamento em ações junto ao Governo, em especial junto à PGE, que conduzam a uma diretriz para todo o serviço público de reconhecimento do direito de redução de carga horária, dispensando o servidor de ingressar na justiça esta redução, sem prejuízo de vencimentos.
CHAPA 2: Adotaremos a equidade como princípio orientador da gestão. Propomos regulamentar prioridade de horários para docentes com filhos(as) pequenos(as), pessoas com deficiência ou dependentes sob seus cuidados, bem como avaliar a redução de carga administrativa em situações específicas. Essas medidas serão implementadas sem prejuízo salarial ou de direitos, mediante normativas institucionais construídas com os departamentos, garantindo justiça organizacional e respeito às condições de trabalho.
6. Democracia Interna: Nossa pauta cobra celeridade no Processo da Estatuinte. Se eleita/o, como a sua gestão atuará, por meio do Conselho Universitário (CONSU), para garantir a continuidade e a conclusão dos trabalhos da Estatuinte?
CHAPA 1: Nossa gestão atuará para garantir a continuidade e a conclusão da Estatuinte, conferindo-lhe prioridade política e administrativa. No âmbito do CONSU, defenderemos o avanço do processo com transparência e ampla participação. Compreendemos a Estatuinte como instrumento central de atualização institucional e de fortalecimento da democracia interna e da autonomia universitária.
CHAPA 3: O processo de construção do novo Estatuto da Uesb teve início em 2013, sob condução das representações das três categorias da comunidade. Nos últimos anos, o Consu procurou dar as condições para continuidade dos trabalhos da Estatuinte, com resoluções que prorrogaram seus prazos de funcionamento, com atualização da composição da comissão e com condições para realização das atividades da Estatuinte (reuniões, congresso etc). No entanto, o processo da Estatuinte encontra paralisado em função de decisão judicial de setembro de 2024 (reformada em agosto de 2025), que declarou nulos os atos praticados pela Comissão, em função da não participação da categoria dos técnico-administrativos. A aprovação de um novo Estatuto é essencial para a Universidade, uma vez que é o seu principal instrumento de organização institucional. Nossa proposta é a de retomar no Consu os diálogos entre as categorias da universidade e permitir que se restabeleça o caminho de construção do novo documento.
CHAPA 2: Antes de mais nada, é preciso aguardar a decisão judicial, uma vez que o processo encontra-se judicializado pela AFUS, não sendo de nosso conhecimento o teor da ação. Respeitado esse contexto, nossa gestão atuará no CONSU para garantir a continuidade institucional do debate, com ampla participação da comunidade universitária, assegurando transparência, legalidade e compromisso com a gestão democrática. Defendemos a volta do funcionamento regular dos conselhos nos termos do estatuto.
7. Democracia e Autonomia: Caso eleita/o, qual posição a sua gestão defenderá com relação à Lista Tríplice para a nomeação à Reitoria das universidades estaduais baianas (UEBAs) e à natureza do voto para a escolha de reitor/a? Além disso, como os representantes da sua gestão no CONSU serão orientados a votar nessas matérias?
CHAPA 1: Defendemos a autonomia universitária e o respeito ao resultado das eleições. Somos contrários à imposição da lista tríplice, quando esta desconsidera a vontade da comunidade acadêmica. Defendemos a nomeação do(a) candidato(a) mais votado(a). Nossos representantes no CONSU serão orientados por esse princípio. Reafirmamos o nosso compromisso com a democracia e com a autonomia da comunidade universitária.
CHAPA 3: A lista tríplice para escolha de reitores/reitoras, vice-reitores/vice-reitoras é um entulho autoritário que ainda sobrevive em dispositivos legais e ameaça a maioria das universidades brasileiras. Nossa chapa repudia completamente tal legislação e pretende defender sua revogação, no âmbito das universidades estaduais baianas, em quaisquer fóruns, mediante reforma da Lei 8.352/2002. Quanto à natureza do voto, entendemos que a mesma deve respeitar a história de luta pela democratização das universidades públicas brasileiras, travada desde os tempos de resistência à ditadura militar e na qual se empenharam docentes, estudantes e técnicos – como foi o caso da Uesb, em que a história das eleições para reitor/reitora é a história da mobilização de suas categorias. Desta forma, defendemos a eleição direta dos gestores pelas comunidades universitárias e que a “natureza do voto” de cada integrante da comunidade seja definida pela própria Universidade.
CHAPA 2: Nas universidades estaduais da Bahia, a lista tríplice ainda é o instrumento formal de nomeação. Nossa posição é clara: somente aceitaremos a nomeação caso sejamos eleitos(as) em primeiro lugar pela comunidade universitária, reconhecendo a eleição como única instância legítima de escolha. Atuaremos politicamente, em diálogo com as demais instituições e com o Governo do Estado, pela superação desse modelo, defendendo o fim da lista tríplice e a adoção de um processo que respeite integralmente a vontade da comunidade acadêmica.
*Tenha acesso aos planos de gestão divulgados pelas chapas:
Chapa 1 – “Uesb: viva e democrática”
Chapa 2 – “Cuidar Para Transformar”
Chapa 3 – “Uesb cada vez mais forte”