Com portões fechados, docentes da Uesb paralisam atividades em protesto aos 10 meses de silêncio do Governo da Bahia às reivindicações da categoria

A mobilização docente, que atinge os três campi da universidade, denuncia a estagnação das negociações e une comunidade acadêmica em defesa do ensino superior público.

10 meses. Esse é o tempo exato que o Governo Estadual segue sem receber o movimento docente superior estadual. A última reunião aconteceu no dia 29 de julho de 2025, com o objetivo de dar seguimento ao Projeto de Lei que garantia as promoções das professoras e professores que aguardavam em fila. Quase um ano se passou, uma nova fila já está formada, mas pautas urgentes como a desvinculação classe/vaga e a ampliação do quadro de vagas nas Universidades Estaduais da Bahia sequer foram discutidas. Nenhuma das pautas protocoladas - que dizem respeito aos direitos trabalhistas da categoria e à autonomia e orçamento das instituições - teve qualquer avanço.

Diante desta realidade de negligência, os três campi da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) - Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga - amanheceram com suas atividades acadêmicas paralisadas nesta quarta-feira, 20 de maio. A ação direta coloca em evidência o silêncio do executivo estadual e busca a reabertura imediata da mesa de negociações.

Preparação, Debates e Pauta Interna: O caminho até a paralisação

A paralisação de hoje é o ápice de uma série de atividades de base que mobilizaram a comunidade acadêmica ao longo da terça-feira (19), organizadas pela Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) em articulação com o movimento estudantil.

À tarde do dia 19/05, o auditório da Adusb no campus de Itapetinga sediou uma importante Reunião Setorial. O encontro teve como foco exclusivo debater os "encaminhamentos sobre a pauta interna", alinhando as estratégias locais do/as professore/as diante do cenário de crise.

Mais tarde, às 19h, o Auditório I (Módulo Luisão) no campus de Vitória da Conquista a Adusb compôs a mesa "Precarização do ensino superior: Conjuntura das universidades públicas e a luta pela recomposição orçamentária". Promovida pelo DCE Edson Luís em parceria com a Adusb, a mesa reuniu a  vice-presidenta da Adusb (Sandra Ramos), representantes da base estudantil (Lívia Arcanjo), 1º Vice-presidente da Regional Nordeste III do Andes-SN (Aroldo Felix) e o professor de Economia  (Prof. Josias Alves). O debate evidenciou como o subfinanciamento destrói não apenas a carreira docente, mas as políticas de permanência e a infraestrutura necessária para o/as estudantes.

Simultaneamente aos debates, ocorreram intensas panfletagens nas salas de aula e espaços de convivência. A mobilização com portões fechados iniciou às 23h, quando faixas com a palavra “Paralisação” foram instaladas. Nesta quarta-feira (20), com os acessos bloqueados, docentes, estudantes e técnicas/os se concentraram em frente aos campi desde as primeiras horas da manhã para um café da manhã de denúncias, transformando o bloqueio em um espaço de conscientização.

A presidente da Adusb, professora Iracema Lima, fez questão de ressaltar que as reivindicações transcendem a questão salarial. A categoria exige a garantia de ambientes de trabalho salubres, a revogação da "lista tríplice" para assegurar a autonomia na escolha de reitores, e a destinação de um orçamento real e adequado, com a defesa histórica de 7% da Receita Líquida de Impostos (RLI), para a manutenção e expansão das universidades.

Um movimento estadual

O grito de alerta da Uesb não é isolado. Mobilizações com o intuito de denunciar a ausência de negociações acontecem simultaneamente nas demais universidades estaduais da Bahia (Uesc, Uefs e Uneb). Até que o governo baiano saia do imobilismo e apresente propostas concretas para o ensino superior, a comunidade acadêmica promete seguir em estado de alerta e mobilização permanente.