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Apesar do maior orçamento previsto no papel, repasse real para infraestrutura despencou e expôs o estrangulamento financeiro das universidades estaduais.
Os dados oficiais mostram que, embora 2025 tivesse o maior orçamento previsto no papel para investimento nas Universidades Estaduais da Bahia (Ueba), a verba de fato liberada para a infraestrutura das universidades foi a menor dos últimos três anos. O que se observa não é a falta de recursos do Estado, mas sim um contingenciamento das verbas que deveriam garantir o tripé ensino, pesquisa e extensão.
O paradoxo de 2025
A decisão contábil do governo estadual ficou evidente nos números globais de "Investimentos" nas quatro universidades (UEFS, UESC, UESB e UNEB). Para 2025, foi aprovado um orçamento de R$ 200,1 milhões, mas a execução real despencou para R$ 59,8 milhões - o que significa que mais de 70% dos recursos destinados à construção de laboratórios, reformas e compra de equipamentos foram contingenciados.
Esse valor repassado em 2025 (R$ 59,8 milhões) é inferior aos R$ 81,6 milhões executados em 2024 e aos R$ 88 milhões garantidos em 2023. É preciso retroceder até 2022 para encontrar um patamar tão baixo de investimento real nas Ueba.
O asfixiamento contínuo da Uesb
Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), o quadro é crítico. Dos R$ 45,6 milhões aprovados para investimentos em 2025, apenas R$ 14 milhões chegaram efetivamente à universidade, ou seja, uma execução de apenas 30,69%. Isso significa que a universidade sequer teve acesso a um terço do que foi aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) na Lei Orçamentária Anual.
Esse estrangulamento também afeta diretamente o funcionamento cotidiano dos campi, na rubrica de Manutenção e Custeio, responsável por contas de água, luz, segurança e internet. Segundo dados apresentados pela própria reitoria referentes ao primeiro semestre de 2024, cerca de 32% do orçamento previsto para manutenção e custeio da Uesb foi contingenciado pelo governo.
Uma escolha política pelo desinvestimento
Para a Adusb, a retenção milionária dessas verbas não é um acidente de percurso, mas uma escolha política do Governo do Estado. O governo alega investir 5% da Receita Líquida de Impostos (RLI) nas Ueba, mas, nos últimos três anos, os constantes contingenciamentos fizeram com que a execução ficasse abaixo de 4,04%.
O asfixiamento ocorre no mesmo momento em que o Produto Interno Bruto (PIB) e a arrecadação da Bahia aumentam. À medida que o Estado enriquece, as universidades públicas não são priorizadas.
A luta pelo orçamento de 7%
Diante desse cenário de precarização da infraestrutura e ataques à autonomia universitária, a categoria docente segue mobilizada. Em dezembro de 2025, o Fórum das ADs protocolou junto ao Governo da Bahia a pauta de reivindicações do Movimento Docente, cobrando de forma contundente o fim do subfinanciamento.
A reivindicação busca a garantia do financiamento público mínimo de 7% da RLI para o orçamento das Ueba, acrescido de 1% exclusivo para políticas de permanência estudantil. Somente com a execução integral de um orçamento justo será possível frear o sucateamento e garantir que o conhecimento científico produzido na Bahia seja, de fato, valorizado.