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No Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Adusb reafirma seu compromisso com a luta antirracista e a defesa por igualdade e trabalho digno nas universidades e na sociedade.
O mês de julho é um marco histórico e político na luta por direitos, visibilidade e emancipação. Conhecido como o Julho das Pretas, o período culmina no dia 25 de julho, data em que celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Mais do que uma efeméride, este é um momento de denúncia contra as opressões de gênero, raça e classe que ainda estruturam nossa sociedade, mas, acima de tudo, é um tempo de celebrar a força motriz que as mulheres negras representam.
Neste ano, a Adusb abraça o mote: "Pele não é alvo, é memória, resistência e futuro. Por igualdade e trabalho digno."
Memória e resistência contra o apagamento
Dizer que a pele negra não é alvo é um ato de recusa à necropolítica e ao racismo estrutural que criminaliza e descarta corpos negros. Contudo, reduzir a experiência da mulher negra à violência é uma armadilha. A pele negra carrega a memória de uma ancestralidade rica e de saberes que construíram o Brasil.
Representadas por figuras históricas como Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Piolho no século XVIII, e por símbolos contemporâneos como Marielle Franco, as mulheres negras são o maior exemplo de resistência do nosso continente. É por reconhecer essa centralidade que o ANDES-SN, do qual a ADUSB é seção sindical, tem fortalecido campanhas institucionais como a "Sou Docente Antirracista", visando conscientizar a comunidade acadêmica sobre a urgência de combater o racismo por dentro das Instituições de Ensino Superior.
Por igualdade e trabalho digno: O que dizem os dados?
O eixo de nossa reflexão exige que olhemos para a dura realidade material. Lutar por igualdade e trabalho digno significa confrontar os números que escancaram a exploração no Brasil.
Dados divulgados pelo DIEESE em 2024, com base na Pnad Contínua (IBGE), mostram que as mulheres negras continuam na base da pirâmide socioeconômica, sofrendo o duplo impacto do machismo e do racismo:
Desemprego: A taxa de desocupação entre as mulheres negras chegou a 10,1% no segundo trimestre de 2024, mais que o dobro da registrada entre homens não negros (4,6%).
Desigualdade Salarial: O rendimento médio da mulher negra no Brasil é de R$ 2.079, valor que representa menos da metade do que ganham os homens não negros (R$ 4.492).
Precarização: Cerca de 46% das mulheres negras ocupadas trabalham na informalidade, sem carteira assinada e sem contribuição à Previdência Social.
Liderança e Ascensão: Apenas 1/3 dos cargos de gerência e direção no país são ocupados pela população negra. Quando o recorte é para mulheres negras, a representatividade despenca para meros 2%.
No ambiente acadêmico, essa disparidade também é gritante. A universidade pública, embora tenha avançado a passos lentos com a Lei de Cotas, ainda é um espaço onde a branquitude predomina na docência e nos espaços de decisão. A defesa pelo trabalho digno passa por garantir paridade, políticas de permanência para pesquisadoras negras e o fim da precarização e do assédio no chão da universidade.
Ações práticas
A construção de um futuro equitário exige instrumentalização política. Nesse sentido, a Adusb destaca o trabalho do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN.
O Grupo de Trabalho tem sido fundamental na formulação de políticas sindicais em defesa das mulheres e da população negra. Dois materiais elaborados pelo GTPCEGDS são leituras obrigatórias para toda a categoria docente:
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A Cartilha de Combate ao Racismo: Um material que oferece não apenas compreensão política, mas também acadêmica, destacando intelectuais negras/os que pensaram a formação do Brasil. A cartilha aprofunda temas como o feminismo negro, a importância das comissões de heteroidentificação e a defesa irrestrita das cotas.
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A Cartilha contra os Assédios Moral, Sexual e Outras Violências: Que orienta a categoria sobre como identificar e combater as opressões interseccionais (de gênero e raça) dentro dos departamentos e reitorias.
Não há futuro democrático, nem universidade popular, laica e de qualidade, sem que as mulheres negras estejam no centro das decisões e da produção de conhecimento. Incorporar autoras negras nos currículos, defender a paridade nos concursos públicos e marchar ao lado das trabalhadoras precarizadas é ponto principal na luta de classes.
Neste 25 de julho, a Adusb saúda as professoras, estudantes e técnicas e analistas da Uesb. Convocamos toda a nossa base a ler as cartilhas do GTPCEGDS e a participar da mesa redonda "Mulheres Negras e o Mundo do Trabalho" no dia 31 de julho (sexta-feira). A atividade, que integra as mobilizações do Julho das Pretas, será realizada no auditório da seção sindical, no campus de Vitória da Conquista.
Vamos construir, todos os dias, uma prática docente genuinamente antirracista!