Docentes das Universidades Estaduais realizam vigília de 24h na SEC em busca de negociação com o Governo Jerônimo

Após governo tentar bloquear com grades o acesso à Secretaria de Educação, direções sindicais dormem ao relento no CAB para cobrar promessa de diálogo feita pelo governador Jerônimo Rodrigues. Iracema Lima, presidenta da Adusb, está no local.

 

Neste 29 de julho, marcando um ano sem negociações com o Governo do Estado, o Movimento Docente das quatro Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) iniciou uma vigília de 24 horas em frente à Secretaria de Educação (SEC), localizada no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A mobilização, que tem a participação da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) e é liderada pelo Fórum das ADs, busca o agendamento imediato de uma reunião para tratar da pauta de reivindicações da categoria.

 

Além dos direitos trabalhistas ignorados, as universidades estaduais enfrentam uma crise de subfinanciamento. Apenas para o ano de 2025, o contingenciamento de recursos já ultrapassa a marca expressiva de R$ 365 milhões. Esse corte atinge diretamente o funcionamento das instituições e precariza as condições de trabalho e estudo de docentes, técnicas/os, analistas e estudantes.

 

A vigília teve início após um ato político realizado às 14h. Durante a tarde, os docentes enfrentaram uma tentativa de intimidação por parte do governo. Funcionários terceirizados da SEC tentaram instalar grades para impedir o acesso das e dos docentes ao local, alegando "protocolos para evitar acidentes".

 

Iracema Lima, presidenta da Adusb e atual coordenadora do Fórum das ADs, relatou o episódio e a decisão de permanecer no local. "Nós dissemos que tudo bem, podiam colocar as grades, mas que faríamos vídeos na mesma hora denunciando a ação nas redes sociais. Diante dessa nossa posição, eles recuaram e retiraram as grades. Passamos a tarde toda aqui, pacificamente, cobrando que o governador Jerônimo cumpra com sua responsabilidade e com a promessa que fez em audiência de assegurar a mesa de negociação com o nosso movimento. Como não houve resposta, o Fórum das ADs deliberou pela vigília de 24 horas, que, se necessário, será intensificada", destacou.

 

Sem nenhum retorno do atual secretário de Educação, Marcius Gomes (que também é professor universitário), ou do governador, os representantes sindicais pernoitaram nas dependências externas da Secretaria. "A categoria está bastante descontente e insatisfeita, aguardando de fato uma movimentação por parte do governo. Somos três professoras e um professor dormindo ao relento. Nós não estamos dentro da secretaria, estamos na área externa. Estamos torcendo para que não chova, mas, se chover, permaneceremos firmes aqui", completou Iracema Lima.

 

Compõem a linha de frente da vigília as professoras Iracema Lima (coordenadora do Fórum das ADs e presidenta da Adusb), Karina Sales (coordenadora da Aduneb), Valdilene Gondim (coordenadora geral da Adufs) e o professor Arturo Samana (diretor da Adusc). A previsão inicial é de que a vigília se encerre às 14h desta quinta-feira, 30 de julho, mas o Movimento Docente já alerta que a radicalização dos protestos dependerá exclusivamente da abertura de diálogo pelo Governo do Estado da Bahia.