Nota de solidariedade da Adusb às trabalhadoras e aos trabalhadores terceirizadas/os da Uesb

A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) vem a público manifestar sua solidariedade às trabalhadoras e aos trabalhadores terceirizadas/os que, mais uma vez, se veem obrigadas/os a paralisar suas atividades em defesa do recebimento de seus salários e benefícios, direito mais básico da relação de trabalho capitalista.

É inadmissível que o cenário de desamparo e calote se repita na Uesb. O que acompanhamos hoje com a empresa Creta é a repetição de um roteiro já vivenciado com a empresa A7 e tantas outras. Essa recorrência escancara que o problema não é apenas a má gestão de uma empresa específica, mas sim o modelo da terceirização em nosso estado.

A terceirização na universidade pública é, antes de tudo, uma escolha política. A opção do Governo do Estado em não realizar concursos públicos para essas categorias é um projeto contínuo que precariza não apenas as condições de vida e de atuação das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas também o próprio funcionamento da universidade. Trata-se de um desrespeito à classe trabalhadora, que é empurrada para a instabilidade, para o atraso de contas, para o parcelamento de vales-alimentação e para a incerteza do dia de amanhã.

Reafirmamos que não há como existir universidade sem todas e todos aqueles que a sustentam diariamente.

A excelência acadêmica, a pesquisa, o ensino e a extensão são alicerçados no trabalho diário e essencial de quem limpa, de quem garante a manutenção e a segurança, das e dos técnicas/os e analistas, das e dos discentes e das e dos docentes. A Uesb é uma construção coletiva, e quando a base que mantém nossas estruturas funcionando é atacada, toda a comunidade acadêmica sofre. Com a categoria paralisada há quatro dias, por exemplo, a Universidade já enfrenta problemas por falta de limpeza de salas, corredores e banheiros, o que compromete a continuidade das atividades.

Exigimos que a Administração Central da Uesb e o Governo do Estado da Bahia assumam suas responsabilidades solidárias de forma imediata. Não basta notificar; é preciso garantir que nenhuma trabalhadora ou trabalhador fique sem comida na mesa por irresponsabilidade de empresas que lucram com o dinheiro público e desrespeitam direitos trabalhistas.

A Adusb segue firme ao lado da classe trabalhadora. A luta contra a precarização do trabalho é de toda a comunidade acadêmica. Como diz João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, “o que a vida quer da gente é coragem”. Coragem para romper com este modelo de exploração que atormenta as/os trabalhadoras/es cotidianamente. Somente a classe trabalhadora tem este poder, esta força.

Nenhum direito a menos! Pela valorização de todas e todos que constroem a Uesb!