Programa de governo de Flávio Bolsonaro propõe transferir universidades federais para o MCTI

O programa de governo do candidato de extrema direita do Partido Liberal (PL) à presidência, Flávio Bolsonaro, propõe, entre tantos desmontes e ataques, a transferência da governança das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Para o ANDES-SN, a medida representa uma grave ameaça de privatização e subordinação da educação pública ao mercado.

Segundo Claudio Mendonça, presidente do Sindicato Nacional, a proposta atende à agenda de desmonte das instituições públicas de ensino. "O candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, inimigo da universidade pública, apresenta uma proposta que, à primeira vista, pode parecer ingênua ou até bem-intencionada, mas que é, na verdade, fruto da sanha privatista do bolsonarismo”, alerta.

Conforme o docente, a tentativa de fatiar e deslocar a gestão do ensino superior revela um profundo desconhecimento sobre o papel indissociável das universidades brasileiras na produção do conhecimento. "Essa proposta, no entanto, revela o nível de ignorância desse setor, que desconhece que, nas nossas universidades, assim como nos Institutos Federais e nos Cefets, não há dicotomia entre ciência e ensino, pois é na academia que também se produz ciência. Somos alicerçados no tripé ensino-pesquisa-extensão e nos orgulhamos de produzir uma parcela significativa da produção científica do nosso país”, explica.

Além da transferência das universidades federais para o MCTI, o programa aponta para uma reorientação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Caps) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para priorizar impactos mercantis e industriais. Propõe também aproximar universidades e empresas, sinalizando que “as instituições de ensino poderão receber recursos em troca da formação dos profissionais de que o país precisa”.

Claudio Mendonça alerta que o programa atual ressuscitar um desastroso projeto do governo anterior. “Registre-se, porém, que, no fundo, o que se tenta é ressuscitar o Future-se, programa do desastroso governo de seu pai, Jair ‘Genocida’ Bolsonaro, que buscava subordinar nossas instituições aos interesses do mercado, atacando sua autonomia e, em uma só tacada, precarizando e destruindo nossas já cambaleadas carreiras”, denuncia.

O presidente do ANDES-SN reafirma que o Sindicato Nacional continuará firme na defesa da universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada, da autonomia universitária, do tripé ensino-pesquisa-extensão e da carreira docente, combatendo toda iniciativa mercantilista que ameace o futuro da ciência e da educação públicas no Brasil.

*Foto: Lula Marques / Agência Brasil