if ($elements['image_label']) {?>
No último 7 de setembro, enquanto o país celebrava mais um aniversário da Independência do Brasil, movimentos sociais, sindicatos e organizações populares ocuparam as ruas e participaram do desfile com o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. Entre as entidades presentes em Vitória da Conquista, esteve a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb), reafirmando seu compromisso com a luta da classe trabalhadora, com a defesa de direitos e com a construção de uma sociedade em que a vida esteja, de fato, em primeiro lugar.
Tradicionalmente realizado no Dia da Independência, o Grito dos Excluídos e Excluídas representa um contraponto às celebrações oficiais e dá visibilidade às vozes que historicamente enfrentam desigualdades, violência, precarização e exclusão. Em 2026, a mobilização teve como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, mantendo como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”. O ato também chamou atenção para a violência contra as mulheres e para o crescimento do feminicídio, além de pautar questões fundamentais para a classe trabalhadora e para os setores populares.
A presença conjunta de diferentes organizações reafirma que a defesa dos direitos sociais não é uma pauta isolada, mas uma construção coletiva que exige organização, solidariedade e disposição para ocupar os espaços públicos. Para a Adusb, estar nas ruas é também uma forma de reafirmar que nenhum direito é garantido sem mobilização. A seção sindical abordou o debate sobre a defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução salarial. A pauta integra a luta por condições dignas de trabalho e pelo enfrentamento à intensificação e à precarização que atingem trabalhadoras e trabalhadores em diferentes setores. A redução da jornada representa mais do que uma reivindicação trabalhista, significa defender o direito ao descanso, à convivência familiar, ao estudo, ao lazer e à participação política e social.
Não se calar diante da violência e da exclusão
Durante a saída do desfile, ocorreu um episódio envolvendo participantes do Grito dos Excluídos e servidores responsáveis pela organização do evento. Integrantes do Grito relataram tratamento truculento por parte de servidores municipais. A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Smed), afirmou que os servidores atuavam na organização do desfile e que houve uma alteração na programação, alegando que integrantes do Grito tentaram acessar a avenida antes do momento previsto.
Sem fazer do episódio o centro da mobilização, é necessário reafirmar que manifestações populares e movimentos sociais fazem parte da própria vida democrática. Divergências sobre organização, horários e procedimentos não podem servir para deslegitimar a presença de organizações que ocupam as ruas para denunciar desigualdades e reivindicar direitos.
Foi nesse sentido que a diretora acadêmica da Adusb, Márcia Menezes, destacou a disposição de permanecer na luta mesmo diante das dificuldades enfrentadas durante a mobilização. “Nós do Grito dos Excluídos fomos excluídas, agredidas, mas nós insistimos, porque nós não deixamos de lutar. Só a luta muda a vida. Estamos todos unidos em defesa dos trabalhadores, porque direito se cumpre, direito é para ser respeitado”, afirmou. A declaração expressa o sentido histórico do Grito: não aceitar que as reivindicações dos/das trabalhadoras/es sejam empurradas para o silêncio. O ato existe justamente para dar voz às demandas que muitas vezes permanecem invisibilizadas e para lembrar que direitos precisam ser defendidos permanentemente.
O diretor de Relações Sindicais da Adusb, Jânio Diniz, também ressaltou a necessidade de manter a mobilização diante de situações de violência e de ataques aos movimentos sociais. “Nós no 32º Grito dos Excluídos não podemos ficar calados com tanta violência. Viva aos movimentos sociais, viva as mulheres, viva aos jovens da periferia. Adusb presente nas ruas!”.
Ao participar mais uma vez do Grito dos Excluídos e Excluídas, a Adusb reafirma seu compromisso com essa construção. Porque não se calar diante das injustiças também é uma forma de lutar. E, para quem defende uma sociedade verdadeiramente democrática e socialmente justa, permanecer nas ruas continua sendo necessário.