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Por falta de salários, vales e retenção ilegal de empréstimos consignados, profissionais de asseio e conservação cruzaram os braços novamente em Vitória da Conquista e Jequié.
A rotina de desrespeito aos direitos trabalhistas mais básicos voltou a afetar a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Na última quarta-feira (9), trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas/os de limpeza, manutenção e apoio operacional, contratados pela empresa Creta Comércio e Serviços Ltda., paralisaram suas atividades nos campi de Vitória da Conquista e Jequié. O movimento também afeta a Uneb, em Juazeiro.
Até esta sexta-feira (11/09), apenas as/os trabalhadoras/es do setor de limpeza tiveram seus salários pagos. Recepcionistas e motoristas seguem sem receber, enfrentando mais uma vez a insegurança e o desrespeito provocados pelo atraso salarial.
O motivo da paralisação é a repetição de um roteiro que a comunidade acadêmica conhece bem: salários atrasados e a suspensão no fornecimento dos vales transporte e alimentação. No entanto, a situação atual revela contornos ainda mais graves de apropriação indevida do salário das/os trabalhadoras/es.
Segundo o SindilimpBA, sindicato que representa a categoria, o impasse mais alarmante envolve os empréstimos consignados. A empresa Creta vem descontando rigorosamente o valor das parcelas diretamente na folha de pagamento dos profissionais, mas não está repassando esse montante aos bancos credores.
Na prática, as/os trabalhadoras/es estão pagando a dívida, mas continuam sendo cobrados pelas instituições financeiras, o que tem gerado restrições de crédito e adoecimento mental. Para a categoria, que já havia paralisado as atividades há menos de um mês (em agosto) pelos mesmos motivos, a situação tornou-se insustentável. "Não vamos dar um passo se não resolverem os atrasos", destacou o sindicato em nota.
Lucros milionários, trabalhadoras/es sem comida
A crise atual expõe a contradição do modelo de terceirização adotado pelo Governo do Estado da Bahia. Levantamento publicado pela Adusb aponta que a Creta, empresa sediada em Lauro de Freitas, acumula cerca de R$ 265 milhões em contratos ativos com a administração estadual. Ainda assim, falha rotineiramente em garantir o pão na mesa de quem mantém as instituições públicas funcionando.
Para a Associação dos Docentes da Uesb (Adusb), o problema vai muito além de uma "falha de fluxo de caixa" de uma empresa específica. Trata-se de uma falha sistêmica. O cenário de desamparo vivido hoje com a Creta é o mesmo já enfrentado com a antiga prestadora, a empresa A7.
A terceirização na universidade pública é, antes de tudo, uma escolha política. A opção do Governo do Estado em não realizar concursos públicos para essas categorias é um projeto contínuo que precariza as condições de vida da classe trabalhadora.
A Adusb segue firme ao lado da classe trabalhadora e exige que a Administração Central da Uesb e o Governo do Estado da Bahia assumam suas responsabilidades solidárias imediatamente. Não basta emitir notificações burocráticas à empresa; o Estado tem o dever legal e moral de garantir que nenhuma trabalhadora ou trabalhador seja submetido à fome e ao endividamento enquanto empresas terceirizadas lucram com o dinheiro público.
A luta contra a precarização do trabalho é de toda a comunidade acadêmica. Nenhum direito a menos.