Adusb defende debate sobre orçamento antes de decisões sobre a Reforma Administrativa da Uesb

A Uesb iniciou, no último dia 15 de setembro, a discussão sobre a Reforma Administrativa com a realização da primeira apresentação sobre a proposta. Em formato virtual, a atividade reuniu docentes, servidoras/es técnico-administrativos, estudantes, trabalhadoras/es terceirizadas/os e representantes de entidades e associações. A participação demonstra a importância do debate e reforça que mudanças estruturais na Universidade não podem ser tratadas como uma questão exclusivamente técnica ou restrita à gestão.

Para a Adusb, a discussão da Reforma Administrativa precisa estar diretamente relacionada às condições concretas de funcionamento da Universidade. Antes de deliberar sobre novas estruturas, atribuições, descentralização administrativa e criação de setores, é fundamental conhecer a realidade orçamentária da Uesb e os impactos financeiros das mudanças propostas.

Na Assembleia da Adusb realizada em 9 de setembro, no campus de Jequié, a categoria docente deliberou, por unanimidade, pela realização urgente de uma audiência pública sobre o orçamento da Universidade. A solicitação foi encaminhada à Reitoria para que a comunidade tenha acesso aos dados necessários à análise da situação financeira da instituição e da própria viabilidade da Reforma.

Acesse o memorando enviado à reitoria clicando aqui.

A Adusb reivindica a apresentação dos valores previstos e executados pela Uesb nos últimos cinco anos, a evolução dos recursos destinados a custeio e investimento, os impactos da execução orçamentária sobre ensino, pesquisa e extensão e o cenário previsto para 2027. Também deve ser discutida a relação entre o orçamento da Universidade e a Reforma Administrativa, incluindo seus possíveis impactos sobre a rubrica de pessoal. 

Não basta apresentar um novo organograma, é necessário discutir quais problemas a Reforma pretende solucionar, quais recursos serão necessários, quais serão os impactos sobre as condições de trabalho e estudo e de que forma as novas estruturas serão efetivamente sustentadas. A criação de Pró-Reitorias de Campus em Jequié e Itapetinga, por exemplo, precisa estar acompanhada de orçamento, pessoal e condições materiais para que a descentralização não represente apenas a transferência de responsabilidades.

A proposta também prevê estruturas voltadas para planejamento e avaliação institucional, políticas afirmativas e enfrentamento às violências, gestão e desenvolvimento de pessoas, arte e cultura, sustentabilidade socioambiental e desenvolvimento territorial. Essas áreas podem representar avanços institucionais, mas sua efetivação depende de planejamento, recursos e equipes adequadas.

Da mesma forma, a chamada modernização administrativa não pode significar intensificação do trabalho ou ampliação de responsabilidades sem a correspondente estrutura de pessoal. Qualquer reforma deve considerar as condições de trabalho de docentes, técnicas e técnicos, analistas e trabalhadoras/es terceirizadas/os.

A Adusb defende que a Reforma Administrativa não avance para as instâncias de deliberação sem que a comunidade acadêmica tenha acesso às informações orçamentárias e tempo suficiente para analisar e discutir a proposta. Transparência, participação e condições concretas de financiamento são fundamentais para qualquer mudança estrutural na Universidade.