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As eleições de 2026 convocam a categoria docente e a comunidade universitária a uma tomada de posição que ultrapassa a mera escolha nas urnas, trata-se da defesa intransigente da democracia, da autonomia universitária e dos direitos da classe trabalhadora. A história recente ensina que o desmonte do financiamento da ciência, os ataques à liberdade de cátedra e as tentativas de asfixia orçamentária das universidades públicas andam lado a lado com projetos políticos autoritários e regressivos. Na Bahia e no Brasil, barrar o avanço das forças ultraconservadoras e do coronelismo político é condição indispensável para a manutenção das liberdades democráticas e da soberania popular.
A disputa pelas casas legislativas ganha contornos de urgência diante da composição do poder que incide diretamente sobre o orçamento público e as relações de trabalho. Em um estado com mais de 80% de população negra e onde mulheres negras somam 41% da população, a sub-representação histórica persiste e se aprofunda. As candidaturas de mulheres negras à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) caíram 33% em 2026, recuando de 250 para 168. Ao mesmo tempo, mais de 71% das candidaturas registradas tanto para a ALBA quanto para a bancada federal baiana estão concentradas em partidos de direita, do Centrão e da extrema-direita, com apenas duas mulheres indígenas concorrendo ao legislativo estadual em todo o território baiano.
A proposta que põe fim à escala 6x1 e estabelece a jornada máxima de 40 horas semanais expôs a face patronal do parlamento. Deputados baianos do bloco conservador tentaram, por meio de emendas, adiar a vigência da medida para 2036 e reduzir os encargos trabalhistas pela metade, recuando apenas sob forte mobilização de base. A matéria encontra-se na iminência de deliberação no Plenário do Senado, onde as pressões de setores empresariais exigem vigília do movimento sindical.
Após anos de complacência legislativa com a expansão desenfreada dos jogos de azar e das bets, que dilapidaram a renda das famílias trabalhadoras e deflagraram uma crise sanitária e de saúde mental nas periferias, a recente edição da Medida Provisória 1.394/2026 impõe o encerramento das operações. Contudo, a MP precisará ser apreciada pelo Congresso em até 120 dias, cabendo ao parlamento decidir se sustentará a proibição ou se capitulará ao lobby econômico das casas de apostas.
No âmbito estadual, a eleição para composição da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) tem impacto direto na sobrevivência e no fortalecimento das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba). É na Alba que se travam as disputas sobre o orçamento das nossas instituições, bem como a tramitação de pautas históricas do movimento docente.
Eleger uma bancada comprometida com a educação pública superior significa, por exemplo, viabilizar o avanço e a aprovação do Projeto de Lei em tramitação que extingue a lista tríplice, assegurando a nomeação direta dos reitoras/es legitimamente eleitas/os pela comunidade universitária. Da mesma forma, uma Assembleia combativa é fundamental para pressionar o Executivo pela revogação das travas burocráticas na carreira docente, aprovando, inclusive, a desvinculação entre classe e vaga, viabilizando a implementação das promoções docentes.
Para a Adusb, Seção Sindical dos Docentes da Uesb, a defesa da universidade pública é indissociável da defesa dos territórios baianos, da juventude negra, das comunidades quilombolas, dos povos originários e das trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade. A derrota dos setores que historicamente atacaram a educação pública e os serviços essenciais exige a ocupação das urnas com projetos que priorizem o financiamento da ciência, a recomposição dos investimentos públicos e a expansão de direitos sociais. Votar pela democracia é votar em defesa da classe trabalhadora e de um Executivo e Legislativo que verdadeiramente represente as urgências do povo baiano.