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Com Flávio Bolsonaro e Lula no 2º turno, a Adusb alerta para os ataques da extrema direita às/aos servidoras/es e convoca a categoria à mobilização.
A apuração do 1º turno das eleições de 4 de outubro, concluída na madrugada desta segunda-feira (5), trouxe um gosto amargo. Com Flávio Bolsonaro (PL) em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, seguido por Lula (PT), com 45,16%, e um Senado tomado pela extrema-direita, as sombras do fascismo voltam a atormentar a classe trabalhadora. Com esse resultado, a luta contra o bolsonarismo segue para o 2º turno, que acontece em 25 de outubro.
A diferença entre os dois candidatos é de menos de dois pontos percentuais, o que torna o 2º turno uma disputa decidida voto a voto. Para o funcionalismo público, o que está em jogo vai além da escolha de um presidente, diz respeito à nossa liberdade de cátedra, a estabilidade, os salários, a carreira e o futuro da educação pública. O projeto da extrema direita para o Estado já foi testado em outros países, e no Brasil ele ganhou forma na PEC 32, não votada após muita luta nas ruas. Por isso, as próximas três semanas pedem conversa nas bases e mobilização da categoria.
A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, apontou a política de Javier Milei como um ótimo exemplo para o Brasil. Na Argentina, o governo reconhece a extinção de cerca de 50 mil postos de trabalho no Estado, e as demissões atingiram serviços como a previsão de catástrofes, a previdência e a saúde, incluindo vacinação e tratamento de câncer. Hoje, 32,2% da população argentina vive na pobreza.
Nos Estados Unidos, o governo Trump já desligou 317 mil servidores federais entre janeiro e novembro de 2025. O decreto conhecido como Schedule F permite reclassificar servidores de carreira como cargos de livre nomeação, o que acaba com a proteção contra demissão política. Se a campanha de Flávio Bolsonaro adotou a tesoura como símbolo, em referência à motosserra de Milei, o caminho é conhecido.
No Brasil, sob o discurso da modernização, a PEC 32, de Jair Bolsonaro, atacava a estabilidade e abria espaço para o apadrinhamento político e a perseguição de quem denuncia irregularidades.
Deliberações do Conad
O 69º Conad, realizado de 3 a 5 de julho em São Luís (MA), aprovou que o Sindicato Nacional se posicionasse, desde o 1º turno das eleições de 2026, pela derrota eleitoral da direita e da extrema direita. O tema, debatido na plenária do Tema II “Atualização dos Planos de Lutas dos Setores e Plano Geral de Lutas”, defendeu convocar a categoria a participar não só pelo voto, mas também pela mobilização contra os ataques fascistas aos direitos da classe trabalhadora e contra as políticas de austeridade.
O Congresso também aprovou o envio de uma carta às candidaturas majoritárias e proporcionais do campo de esquerda, com uma síntese das pautas centrais da categoria docente. O documento destacou a luta contra a extrema direita e a unidade das lutas populares e sindicais. A Carta de São Luís (leia na íntegra clicando aqui), que sintetiza as deliberações, registra a linha política de derrotar as candidaturas da direita e da extrema direita, mantendo a mobilização nas ruas e as críticas ao governo.
Eleições 2026
Neste 2º turno, a Adusb convoca a categoria docente a intensificar o diálogo. Converse com colegas, familiares e estudantes. Defender a universidade pública, a ciência e os direitos do funcionalismo é lutar diretamente pela nossa democracia e pela soberania brasileira. Chame as e os que não compareceram às urnas, relembre a importância histórica do voto e mostre que este é o momento de unirmos forças para combater o avanço do fascismo. A nossa luta, no entanto, não se encerra nas urnas. A categoria seguirá vigilante, nas ruas e nas salas de aula, em mobilização permanente na defesa dos nossos direitos, seja qual for o resultado.
Com informações de matéria do Relatório Final do 69º CONAD, do Fonsasefe e do TSE.