Terceirizados da Uesb mantêm paralisação nos três campi, e a situação se repete mês a mês

Todos os setores atendidos por terceirizados da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) estão sem funcionar. A paralisação atinge os três campi e acontece pelo mesmo motivo de meses anteriores: atraso no pagamento de salários e benefícios pela empresa Creta Comércio e Serviços Ltda.

Nesta quarta-feira (14), os trabalhadores seguem sem receber o salário de setembro, nem vale-transporte e vale-alimentação, e não há previsão de pagamento. A Creta tem seis contratos com a universidade, e todos estão afetados, incluindo o de vigilância, executado pela empresa Java, do mesmo grupo.

Pagamento direto ainda sem data

Segundo a diretora de base do Sindilimp, Dila Ribeiro, a Uesb entrou com liminar contra a empresa porque ela não repassou as planilhas de pagamento. Sem elas, a universidade não pode fazer o pagamento direto aos trabalhadores.

“O reitor foi bem incisivo em dizer que não tem previsão de pagamento ainda”, relatou Dila, após reunião com a reitoria na terça-feira (13). Ela explica que o trâmite do pagamento direto leva de 10 a 15 dias. Se a empresa tivesse entregado a planilha, bastaria à universidade solicitar as contas dos trabalhadores e fazer o pagamento.

“Na terça, caiu uma parcela do vale-alimentação referente a uma semana em atraso, que a empresa vem pagando de forma fatiada. Hoje, o sindicato consultou a categoria para decidir se mantém a paralisação ou retorna às atividades. Acertamos de manter”, informou Dila. Ela lembra que o problema não é novo: o Sindilimp atua em Vitória da Conquista há 18 anos e, segundo a dirigente, empresas terceirizadas deixam de pagar trabalhadores na Uesb em vários anos.

Descontos que não chegam ao banco

Além dos atrasos, o sindicato denuncia que a Creta desconta empréstimos consignados dos contracheques sem repassar o valor aos bancos. Segundo Leo Santos, gari liberado para atuar no Sindilimp, trabalhadores estão sendo cobrados pelas instituições financeiras e correm risco de ter o nome negativado.

"Tem gente que vem andando, pois não tem o valor para o ônibus, tem gente pegando dinheiro emprestado", disse. "Muitos trabalhadores estão sendo violados nessa questão de pagamento, com banco ligando, ficando com esse constrangimento."

Leo afirma que o problema vai além da Uesb. Trabalhadores da Creta em outras cidades, como Bom Jesus da Lapa e Jacobina, relatam o mesmo desconto sem repasse. Ele também menciona que os terceirizados da Sefaz estão há dois meses sem salário e também paralisados. "Ela pegou vários contratos e não está dando conta de pagar. Cada dia que passa, a situação fica mais difícil."

O sindicalista defende o pagamento direto, por dar previsibilidade, mas cobra uma resposta objetiva da universidade. "Ontem chegou o contracheque do pessoal, e a pessoa já pensa que a empresa vai pagar. Aí vem outra informação da Uesb de que vai pagar direto. A gente quer uma resposta concreta."

Adusb cobra providências

A Adusb lembra que já havia denunciado a paralisação em agosto e setembro, quando houve retenção de salários e corte no fornecimento de vales-transporte e alimentação. Também critica o fracionamento dos benefícios e o confisco de consignados, que classifica como "superexploração".

A nota atribui a precarização a uma escolha política do Governo do Estado, que não realiza concursos públicos para funções como limpeza, manutenção, recepção, transporte e segurança.  Mais uma vez, a Associação cobra providências efetivas e imediatas, pois a Uesb não existe sem todas e todos aqueles que a sustentam diariamente.