Em defesa das universidades públicas e da comunidade acadêmica da Uesb - Sem medo de ser feliz!

Diante das manifestações veiculadas em perfis de redes sociais, que promovem campanhas de polarização e intimidação à liberdade de expressão de docentes que declararam apoio à reeleição do presidente Lula, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb), seção sindical do ANDES-SN, vem a público demarcar sua posição em defesa da universidade pública, das professoras e dos professores, e do Estado Democrático de Direito.

A Constituição Federal de 1988, marco da redemocratização do Brasil, consagrou em seu Artigo 207 o princípio da autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das universidades. Essa conquista histórica, que visa blindar a produção do conhecimento científico e o pensamento crítico contra as ingerências de governos de turno e patrulhamentos ideológicos, está ameaçada pelo avanço da extrema-direita e do poderio norte-americano sobre o nosso país. 

A Adusb pauta sua atuação pela defesa da liberdade de cátedra e da liberdade de expressão. Como seção sindical que segue as deliberações construídas democraticamente pela base e orientadas pelo Sindicato Nacional (ANDES-SN), compreendemos que o espaço universitário é plural e que o respeito às escolhas individuais é premissa do convívio democrático. Contudo, não podemos normalizar discursos e práticas que, sob o manto da "liberdade", atuam para destruir a imagem da própria universidade que os abriga, muito menos difamar as/os docentes que atuam cotidianamente promovendo ensino, pesquisa e extensão de qualidade para o avanço da ciência.

Defender a Uesb, que historicamente cumpre um papel para o desenvolvimento social, cultural,  político, econômico, científico para a consolidação da democracia na região Sudoeste e circunvizinha é também defender o Brasil. O avanço da extrema-direita no país representa um projeto articulado de privatização da educação, de desmonte do Estado e de ataques sistemáticos ao serviço público. Defender a soberania nacional exige, intrinsecamente, a defesa das servidoras e dos servidores públicos, que são a linha de frente na garantia dos direitos constitucionais da população.

Nossa seção sindical e o ANDES-SN possuem um legado na defesa da classe trabalhadora, cujos resultados se materializam em inúmeras vitórias. Celebramos a mobilização popular que culminou na aprovação do fim da escala 6x1, garantindo dignidade ao trabalhador e à trabalhadora brasileiro/a. Fomos resistência para impor o recuo da Reforma Administrativa (PEC 32/2020), que visava destruir as carreiras públicas, e do PL da dosimetria, que ameaçava diminuir as penas de quem atenta contra a democracia.

Para que não se repita, é preciso lembrar. A escalada do extremismo culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Esse episódio foi o ápice de um projeto político nefasto conduzido pelo governo Bolsonaro entre 2019 e 2022. Foram anos marcados pelo negacionismo que ceifou centenas de milhares de vidas na pandemia da Covid-19, pelo congelamento do salário mínimo, pela diminuição do poder de compra dos trabalhadores e das trabalhadoras e pelo retorno vergonhoso do Brasil ao Mapa da Fome, onde as filas para a doação de ossos se tornaram o retrato da precarização da vida.

A Adusb repudia qualquer tentativa de transformar a universidade em palco de intimidação fascista ou de aparelhamento que fira sua essência democrática. Seguiremos firmes, ao lado das e dos docentes, honrando a nossa trajetória de lutas por uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade, pela soberania do país e por uma vida digna para toda a classe trabalhadora. Parabenizamos, ainda, toda comunidade universitária que luta e acredita num Brasil melhor para todas e todos. Sem medo de ser feliz!