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"Soberania não se negocia!" Sob este tema, teve início nesta sexta-feira (6) o 66º Encontro da Regional Nordeste III do ANDES-SN. Sediado na Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (ADUSB), em Vitória da Conquista, o evento reúne representações sindicais e docentes para dois dias de debates sobre o futuro do ensino superior, das ciências brasileiras e da categoria.
Para dar início ao evento, aconteceu uma intervenção artístico-cultural do tradicional Terno de Reis do sudoeste baiano. O grupo Santo Reis e Brasileiro, da comunidade de Cabeceira da Jiboia, Zona Rural de Vitória da Conquista, esteve no auditório da Adusb, marcando o início do encontro. A mesa de boas vindas foi composta por Iracema Lima, atual coordenadora do Fórum das ADs e presidenta da Adusb; Hebersom Sonkha, representante do Movimento Negro Unificado (MNU); Elinaldo Leal, em nome da reitoria da Uesb; Micaelly Oliveira, representando Diretório Central dos Estudantes (DCE/Vitória da Conquista); Aroldo Félix, 1º vice-presidente da Regional Nordeste III; Sérgio Barroso, 1º Tesoureiro do Andes-SN; e Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do Andes-SN.
E a partir de agora, como nos organizamos?
A primeira mesa deu o tom de urgência e unidade que pauta a mobilização baiana e nordestina neste fim de ano. Entre os eixos das discussões, destacaram-se a análise da conjuntura política atual, a necessidade de organização frente aos desafios impostos pela extrema-direita e as estratégias de resistência para proteger a educação pública. Estiveram presentes o professor Marcos Tavares (Uesb), a professora Caroline Lima (Uneb/1ª vice-presidenta do Andes-SN), Alcione Correia (Serra da Chapadinha), com mediação de Aroldo Félix (1º vice-presidente da regional Nordeste III Andes-SN).
O debate enfatizou a importância da soberania nacional, conectando-a à proteção da educação pública, das universidades estaduais e do desenvolvimento científico do país. Um ponto recorrente foi a análise dos desafios sindicais diante do avanço de pautas da extrema-direita, discutindo como o movimento docente deve se posicionar para proteger direitos conquistados e garantir a liberdade de cátedra. As falas reforçaram a necessidade de fortalecer a unidade entre as seções sindicais (como ADUSB, ADUNEB, ADUFS e ADUSC) para enfrentar ataques, pautar reivindicações docentes e mobilizar a categoria em defesa da autonomia universitária.
Alcione compartilhou sua trajetória como defensora dos direitos socioambientais e sobrevivente de um atentado armado, reforçando a periculosidade da luta contra interesses do capital. Relatou o sucesso na criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha, destacando que, com metodologia e articulação de forças, é possível vencer o Estado e proteger recursos estratégicos como a água. A defensora ambiental argumentou que o avanço da extrema direita facilita a desregulamentação em prol do lucro de uma minoria. Defendeu que a soberania hídrica e a proteção ambiental são inegociáveis e urgentes. Defendeu a necessidade de radicalizar as ações para impedir a entrega das riquezas naturais e a continuidade da exploração desenfreada.
O professor Marcos Tavares alertou que, apesar das vitórias eleitorais, a extrema direita permanece forte no Brasil, com significativa densidade eleitoral e controle do parlamento. Apontou uma mudança histórica na disputa econômica, a perda de relevância do capital industrial (como a FIESP de outrora) em favor da supremacia do capital financeiro (Faria Lima), que agora molda a opinião pública e pressiona o governo. Identificou a dívida interna e a política de juros elevados como os principais nós que impedem o desenvolvimento nacional e perpetuam a transferência de riqueza para o setor financeiro .
Por fim, a professora Caroline enfatizou a importância da unidade para conquistas, citando como exemplo a força demonstrada na greve geral de 2017 contra o governo Temer. Caroline argumentou que o projeto de "conciliação de classes" chegou a um esgotamento, o que acabou empurrando parte da classe trabalhadora para o voto em projetos fascistas ou de extrema direita. Ela enfatizou que não basta apenas fazer uma leitura passiva da conjuntura, é preciso disputá-la. Isso envolve uma atuação constante, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, sem abrir mão de nenhum desses espaços, questionando a leitura de que a conjuntura é totalmente desfavorável. Para ela, a mobilização da classe trabalhadora e da juventude, especialmente no segundo turno das eleições, demonstrou uma força política significativa que deve ser valorizada e fortalecida, defendendo que a formação política deve ser um espaço de "revolução cultural" para a juventude e a classe trabalhadora, combatendo o conservadorismo e o desgaste.
O 66º Encontro reforça o papel da organização de base. O evento, se encerra no sábado (7), com discussões sobre adoecimento docente, questões organizativas do sindicato nacional e uma plenária final.