Vitória da Luta: terceira parcela do reajuste salarial será paga no dia 30 de janeiro

Entre mobilizações permanentes e negociações, o movimento docente das Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) segue firme na luta, para garantir o cumprimento integral da pauta de reivindicações apresentada ao governo do estado. A valorização profissional, condições dignas de trabalho e investimentos efetivos na educação superior pública permanecem no centro da agenda sindical.

As paralisações e ações coletivas acumuladas nos últimos anos evidenciam a disposição das professoras e dos professores em enfrentar o arrocho salarial e as perdas históricas impostas à carreira docente. Nesse cenário, 2026 se consolida como um ano estratégico, não apenas pela vigência do acordo firmado em 2024, mas, também fundamental para intensificarmos a luta pelos direitos da carreira das/os docentes da educação superior das universidades estaduais baianas. 

Adusb entra em 2026 atenta à execução do acordo e aos impactos reais do reajuste

O Termo de Acordo, assinado em 21 de outubro de 2024 pelo Fórum das ADs (FAD) e o governo do estado da Bahia, representou uma vitória importante da luta organizada do movimento docente. O acordo garantiu reajustes salariais para os anos de 2025 e 2026, fruto direto da mobilização pela reposição parcial das perdas salariais acumuladas.

A oficialização ocorreu em 23 de janeiro de 2025, com a sanção da Lei nº 14.818, publicada no Diário Oficial do Estado em 24 de janeiro. A lei estabelece um reajuste total de 13,83%, que não foi concedido de forma imediata, mas parcelado em dois anos, entre 2025 e 2026. Em 2025, o reajuste foi dividido em duas etapas: a primeira, de 4,7%, entrou em vigor em janeiro, e a segunda, de 2%, foi aplicada a partir de julho. Já em 2026, estão previstas mais duas parcelas, consideradas centrais para a recomposição salarial da categoria: 4,5% em janeiro e 2% em junho, totalizando 6,6% somente neste ano.

O impacto desse reajuste em 2026 é especialmente relevante já que a inflação registrada em 2025 foi de 4,26%. Ainda que não elimine as perdas acumuladas, o reajuste representa um passo importante na luta pela valorização da carreira e reforça a necessidade de acompanhamento e mobilização permanente para assegurar o cumprimento integral do que foi estabelecido em lei.

Embora o pagamento da terceira parcela do reajuste seja importante para a recomposição salarial, ele não corrige a desvalorização do vencimento base do magistério superior. Mesmo com a aplicação dos 4,5% em janeiro de 2026, persiste a realidade em que o salário base de um/a docente em início de carreira nas Universidades Estaduais permanece inferior ao Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica.

A situação torna-se ainda mais alarmante quando colocamos os números na ponta do lápis. Com a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula em janeiro de 2026, que garantiu um reajuste de 5,4% e ganho real ao Piso do Magistério, o abismo entre a valorização do ensino básico e o desmonte do ensino superior estadual ficou explicitamente quantificado.

Hoje, um/a  professor/a com Dedicação Exclusiva (DE) ou 40h nas Universidades Estaduais da Bahia, ao ingressar na carreira (Auxiliar, Nível A), tem um vencimento básico inferior ao que a lei garante como mínimo para um professor/a da educação básica.

O cálculo 

  • Piso Nacional do Magistério (40h): Com o aumento de 5,4%, o valor foi para R$ 5.130,63.

  • Vencimento base UEBA (Auxiliar 40h): Após aplicarmos o reajuste de 4,5% deste mês sobre o valor vigente (julho/2025), o base vai para aproximadamente R$ 4.828,84.

Paridade e impacto para aposentadas/os

Outro ponto fundamental do acordo é a garantia de que aposentadorias e pensões com direito à paridade constitucional serão revistas nas mesmas datas, condições e proporções aplicadas aos servidores/as da ativa. O texto da lei assegura que esses reajustes não poderão resultar em valores superiores aos concedidos aos não aposentados/as em situação equivalente, preservando a isonomia.

Conquista histórica, vigilância permanente

A assinatura do acordo representa uma conquista importante do movimento docente, fruto de anos de denúncias e enfrentamentos diante das perdas salariais acumuladas pelo magistério superior. Foi um avanço arrancado pela luta organizada da categoria, em um cenário historicamente marcado pela desvalorização da carreira e sucessivas tentativas de esvaziamento da educação superior pública.

Este ano de 2026 não pode ser tratado como ponto de chegada. A recomposição salarial assegurada no acordo é insuficiente diante das perdas históricas acumuladas ao longo dos últimos anos. A categoria precisa se manter organizada, mobilizada e vigilante, cobrando o cumprimento integral do que foi firmado e avançando na luta por recomposição salarial plena, carreira valorizada e condições dignas de trabalho nas Universidades Estaduais da Bahia. 

A Adusb tem desempenhado papel fundamental na organização, mobilização e representação da categoria na Uesb, atuando de forma permanente na defesa dos direitos das professoras e dos professores das Universidades Estaduais da Bahia, reafirmando que somente a luta coletiva é capaz de garantir conquistas e impedir retrocessos.