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A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) manifesta sua irrestrita solidariedade de classe às trabalhadoras e aos trabalhadores terceirizadas/os que, mais uma vez, têm seus direitos básicos vilipendiados. Enquanto garantem, diariamente, o funcionamento da nossa Universidade, essas categorias enfrentam o atraso de salários e benefícios pela empresa Creta Comércio e Serviços Ltda.
O que ocorre hoje na Uesb não é um episódio isolado ou mero desajuste. Em agosto, já havíamos denunciado a paralisação da categoria diante da retenção de salários e do corte cruel no fornecimento de vales-transporte e alimentação. Agora, em setembro, o desrespeito se repete, ainda parte dessas/es terceirizadas/os permanecem sem pagamento. O resultado é uma engrenagem que adoece e penaliza financeiramente quem menos tem margem para falhas financeiras.
A repetição sistemática dos atrasos de salários, o fracionamento de vales-transporte e alimentação e o confisco de empréstimos consignados pela empresa são a essência de um modelo de superexploração. O roteiro de adoecimento e insegurança que essas e esses profissionais vivenciam hoje, é o mesmo imposto anteriormente por outras empresas. É a lógica de garantir o lucro de empresas privadas à custa da fome e do endividamento da classe trabalhadora.
A Adusb denuncia que a precarização produzida pela terceirização não é apenas responsabilidade exclusiva da empresa contratada, mas o resultado de um projeto político. A terceirização no setor público é uma escolha política do Governo do Estado da Bahia que, ao optar por não realizar concursos públicos para essas funções, mantém intencionalmente uma estrutura que fragiliza vínculos e precariza as relações de trabalho. É insustentável o discurso de defesa de uma universidade pública e de qualidade quando as mãos responsáveis pela limpeza, manutenção, recepção, transporte e segurança não têm a garantia do sustento em suas próprias casas.
Essa engrenagem de exploração tem a seu favor um sistema que por vezes, limita-se a expedir notificações; o desespero de quem está com a conta zerada passa a ser compreendido como um mero "desalinhamento de contrato". A universidade para funcionar precisa assegurar condições dignas de trabalho às/aos suas/ seus servidoras, sejam elas/es estatutária/os ou terceirizadas/os. É preciso tomar providências efetivas e imediatas, pois quem trabalha para manter a universidade de portas abertas não pode, de forma alguma, pagar a conta e os lucros da terceirização.
A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia é construída pela classe trabalhadora - docentes, técnicas/os, analistas, estudantes e todas/os as/os trabalhadoras/es. Não existe ensino, pesquisa e extensão sem a força de trabalho de todas e todos nós. Defender a universidade pública significa, obrigatoriamente, estar na mesma trincheira de quem trabalha nela. A Adusb permanece ombro a ombro com as trabalhadoras e os trabalhadores terceirizadas/os em luta, e seguirá cobrando o fim definitivo de um modelo perverso que transforma direitos fundamentais em incertezas.