Com Bolsonaro e Damares, investimentos em políticas para mulheres caem ao menor nível em cinco anos

A redução dos recursos repassados às políticas em defesa das mulheres, inclusive contra a violência, despencaram sob a tutela da ministra bolsonarista Damares Alves. O recorde negativo foi atingido no ano passado, quando dos R$ 124 milhões autorizados, somente R$ 36 milhões foram repassados aos estados e municípios. Esta é a menor quantia desde 2015.

A situação que já é ruim poderá piorar ainda mais neste ano. Nos primeiros seis meses de 2021, foram gastos R$ 13,9 milhões. A cifra é quase um milhão e meio inferior ao que foi gasto no ano passado em ações para a proteção das mulheres.

Neste ano, o principal alvo do desinvestimento governamental é a Casa da Mulher Brasileira, que recebeu apenas 2,6% da verba autorizada. O centro de atendimento é especializado no acolhimento à mulher em situação de violência doméstica.

O cenário é extremamente preocupante e denota o caráter de descaso do governo, visto que, com as medidas de isolamento necessárias na crise sanitária, milhares de mulheres foram confinadas com seus agressores.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado no último dia 15, a cada minuto de 2020, alguém ligava para um centro de denúncias para relatar um caso de violência doméstica contra mulheres.

Somente o Disque 190 recebeu 694.131 ligações sobre violência doméstica. O número registra um aumento de 16,3%, em relação ao ano de 2019. 230.160 mulheres denunciaram um caso de violência doméstica em 26 estados.

Os assassinatos de mulheres por crime de ódio também aumentou. Em 2020, foram 1350 feminicídios registrados, contra 1326, em 2019. Com isso, o Brasil segue com a vergonhosa marca de ser o quinto no ranking dos países que mais matam mulheres no mundo.

“Esse governo não tem nada a oferecer as mulheres trabalhadoras que não seja descaso e negligência. O Brasil é campeão no número de mortes de profissionais da saúde, de grávidas e parturientes contaminadas pela covid-19 e vimos explodir os casos de violência doméstica e sexual”, Marcela Azevedo dirigente do Movimento Mulheres em Luta e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

“O não investimento de um orçamento já aprovado é mais um crime de Bolsonaro e sua quadrilha. Por isso, nosso lugar é nas ruas, exigindo a imediata saída do presidente, como premissa para nossa sobrevivência”, conclui.

Via cspconlutas.org.br